Assédio Moral

“Uma palavra contundente é algo que pode matar ou humilhar, sem que se sujem as mãos. Uma das grandes alegrias da vida é humilhar seus semelhantes”. Pierre Desproges


Com essa frase a psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen, criadora do termo "bullyng", inicia a página de introdução do seu livro Assédio Moral – A violência perversa no cotidiano.

Passei uma boa parte do meu casamento de dezesseis anos e dois filhos procurando entender o que acontecia. Meu ex-marido sempre me desqualificou. Tudo o que eu fazia ou falava era invalidado. Era como se eu não existisse. Sentia-me o “o cocô da mosca do cocô do cavalo do bandido”. Enquanto ele me pisava, tripudiava e me magoava, para os outros ele só me elogiava. Todos achavam que ele me adorava e era o melhor marido do mundo. Essa incoerência me deixava extremamente insegura e culpada de não ser o que ele esperava de mim. Muitas vezes me ameaçou com a separação e eu me apavorava, porque, com dois filhos pequenos e me sentindo incapaz e incompetente, eu achava que não daria conta. E ele usava isso muito bem para me manipular.

Aos poucos, com terapia e lendo muito, fui compreendendo a dinâmica dele para se relacionar. Identifiquei sua insegurança, a sua necessidade de sempre me por pra baixo, por conta da insegurança e sentimento de inadequação dele, a projeção que ele fazia sobre mim de todos os defeitos dele, de como ele usurpava as minhas qualidades. Quando comecei a esboçar uma reação, ele se envolveu com uma outra mulher e então  passou a me odiar com todas as forças e fazer tudo para me destruir.

Meu mundo literalmente caiu, porque eu podia entender suas dificuldades, mas não conseguia entender esse ódio e essa necessidade de acabar comigo. Enquanto ficava noivo da outra, continuou em casa, dormindo na minha cama, como seu eu não fosse nada. Como se eu não tivesse sentimentos. O pior é que ele acreditava mesmo (e acredita até hoje) que ele foi a vítima, porque não conseguiu me moldar como ele queria, e que eu não sofri nada.

Fui lesada por ele na partilha de bens (trabalhei com ele muitos anos e tudo que tínhamos conseguimos juntos) e mesmo assim ele falou para os amigos que ficou sem nada, passou tudo pra mim.

Hoje, depois de treze anos de separação, ele ainda tenta me destruir.

Ao começar a ler o livro esse livro, entrei num turbilhão. Ali estava minha vida toda com o meu ex-marido. Só então pude entender a perversidade de todo o processo. E o pior é que tudo acontece por um processo inconsciente. Quer dizer, ele nunca vai mudar.

Só lamento ter perdido tanto tempo, tentando entender.

O bom é que me sinto mais apta e informada para ajudar quem está passando por esse processo.

Agradeço aos Anjos que colocaram esse livro nas minhas mãos e à Dra. Marie-France por aceitar a missão de estudar e tratar as pessoas vítimas do assédio moral.

sábado, 1 de maio de 2010

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